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by Eduardo Galvão



O dia em que Jackson mudou a NFL
Escrito por Eduardo Galvão    Sex, 25 de Junho de 2010 18:30    PDF Imprimir E-mail

Final de tarde de Domingo, um público de mais de 98 mil pessoas se espremem no Rose Bowl, estádio construído em Pasadena, California.

Dentro de campo, a disputa pelo título máximo da National Football League, o Super Bowl XXVII tinha como protagonistas o campeão da AFC, Buffalo Bills, enfrentando o campeão da NFC, o Dallas Cowboys, em um jogo em que os Cowboys eram franco favoritos ao título.

A partida apresentava um placar de 28 a 10 para os Cowboys ao final do primeiro tempo, quando a estrela maior deste dia 31 de Janeiro de 1993 apareceu no Rose Bowl.

Michael Joseph Jackson, então com 34 anos, foi o artista contratado para o halftime show deste Super Bowl, e sua performance histórica mudaria para sempre o formato da decisão do futebol americano nos Estados Unidos.

O show do intervalo geralmente reserva 12 minutos ao artista para este apresentar seu repertório, o que causa certa preocupação nos músicos, que consideram o tempo curto demais para tocar todas as canções que desejam. Jackson foi literalmente "lançado" ao palco e ficou mais de um minuto imóvel, apenas sendo aplaudido. Foi a primeira e única vez na história do Super Bowl em que a audiência aumentou durante o show do intervalo.

"A partida é transmitida a mais de 100 países e atrai mais de 100 milhões de telespectadores apenas nos EUA. Ele sabia da importância do show, da magnitude do evento, e fez questão de frisar que sua apresentação o levaria a lugares onde jamais poderia estar em turnê", lembra Arlen Kantarian, que na época era presidente da Radio City Music Hall, empresa responsável pela produção do show em parceria com a NFL.

Nem tudo porém foram flores, como conta Jim Steeg, hoje diretor do San Diego Chargers e que na época era diretor de eventos especiais da NFL. "Michael e seu empresário pediram um cachê de US$ 1 milhão de dólares, mas a NFL tem como política pagar apenas as despesas dos artistas envolvidos", lembra Steeg. Após muitas negociações e insistência em ter o artista por parte da liga, uma doação de US$ 100 mil foi efetuada pela NFL à fundação "Heal the World", criada por Michael Jackson para combater a pobreza, fome e exploração sexual infantil ao redor do planeta.

As discussões ainda envolveram o repertório de Jackson, que insistia em tocar suas novas músicas com cunho mais "social", enquanto a NBC pressionava pelos maiores sucessos do músico. Um medley envolvendo "Jam", "Billie Jean" e "Black or White", e o encerramento do show envolvendo Jackson e um coro de 3500 crianças cantando "Heal the World" agradaram a ambas as partes.

A Sports Illlustrated considera o show de Jackson o terceiro maior em toda a história da NFL, perdendo apenas para o show de Prince em 2007 e o patriótico show do U2 após o 11 de Setembro. Michael Jackson, aliás, inaugurou uma nova era no show do intervalo do Super Bowl, que começou a apresentar grandes artistas no lugar de bandas marciais e personagens Disney. Desde que Jackson se apresentou, nenhuma emissora deixou de apresentar o show do intervalo na íntegra.

Ah, é verdade, o Super Bowl XXVII terminou com a vitória dos Cowboys sobre os Bills por 52 a 17, na época um recorde de 69 pontos em uma partida. Mas o campeão do dia precisou de apenas 12 minutos para entrar para a história da TV e da NFL, apenas 12 minutos para consagrar em todas as esferas da mídia o apelido de "Rei do Pop".

 

UPDATE: O vídeo do show do intervalo do Super Bowl XXVII, em 1993. Enjoy it!

 

 

 

Última atualização ( Sáb, 26 de Junho de 2010 10:42 )
 
O equilíbrio da prorrogação
Escrito por Eduardo Galvão    Qui, 04 de Março de 2010 18:09    PDF Imprimir E-mail

O jogo chega ao fim.

Depois de 60 minutos suados, disputados, com tackles, corridas, sacks, passes, touchdowns e field goals para ambas as equipes, o cronômetro zera indicando o fim de uma partida da NFL.

Mas tem algo faltando, nenhuma das torcidas está comemorando, os jogadores continuam na sideline conversando com os técnicos, a tensão no estádio não diminui, pelo contrário, ela cresce impacientemente. Estamos entrando na prorrogação.

Na última temporada regular da National Football League, 12 jogos não foram decididos pelas equipes durante o tempo regulamentar e os fãs se deliciaram com mais alguns minutos de football antes de saírem dos estádios como vitoriosos ou derrotados. Nada menos que 19 equipes suaram um pouco a mais diante da morte súbita.

Sim, porque é assim que funciona a prorrogação da NFL durante a temporada regular. São mais 15 minutos de jogo, com a primeira posse de bola decidida no cara ou coroa. O time que marcar primeiro vence, não importa se é um field goal, touchdown ou até mesmo um safety.

Com o quadro exposto desta maneira, muitos defendem uma clara vantagem para o time que vencer a disputa na moeda. Será realmente essa a questão chave? O cara ou coroa que define a primeira posse de bola da prorrogação traz maiores chances de sucesso ao time “sortudo”?

O que vimos no último ano contraria essa tese. Dos 12 jogos decididos na prorrogação durante a temporada regular, 6 foram vencidos pela equipe que ganhou o cara ou coroa, enquanto os outros 6 triunfos foram das equipes que se defenderam no começo da prorrogação. Em 7 dos confrontos, a posse de bola passou de um time para outro antes do último ponto.

Com um equilíbrio tão grande dentro de campo, não há sentido na nova proposta da NFL, que quer alterar as regras da prorrogação. De acordo com a nova proposta, o time é declarado vencedor da prorrogação após marcar 6 pontos. Seria o equivalente a dois FG ou a um touchdown sem o ponto extra.

No atual sistema de prorrogação, as equipes tem praticamente a obrigatoriedade de apresentarem o melhor football possível tanto no ataque quanto na defesa. O ataque tem que andar ao menos 60, 70 jardas antes de posicionar seu kicker para um FG decisivo. Do outro lado, a defesa precisa segurar esse time por três descidas para obrigar o adversário a chutar um punt e devolver a bola para seu time.

A questão chave aqui é o que decide uma partida da NFL. O que vale mais para cada franquia, um ataque poderoso ou uma defesa sólida? Nesta década assistimos a grandes campeões do Super Bowl enaltecendo as qualidades de suas defesas. A última final que assistimos, porém, foi vencida pelo time com o melhor ataque.

O burburinho a respeito da alteração da regra da prorrogação surge às vésperas do início do período de free agency. Pura coincidência ou seria uma tentativa da NFL de buscar um outro assunto diferente do acordo de trabalho coletivo entre a associação de jogadores e os donos dos times?

Última atualização ( Qui, 04 de Março de 2010 18:31 )